Falta olho no olho

Amo a internet. De verdade. Amo como ela me permite conhecer novas ideias, lugares, músicas etc. Amo como ela me ajuda a encontrar pessoas que conheci na infância e nunca mais vi. Amo como me mantém próxima de pessoas que conheci numa conferência em outra cidade.

Eu poderia te fazer ficar horas lendo o que amo na internet, mas quero mesmo é falar sobre o principal motivo pelo qual a detesto: as pessoas ficaram mais preguiçosas.

Sabe aquele “vamos marcar algo”? É dele que eu tô falando. Ao mesmo tempo que a internet nos aproximou, criou um abismo enorme entre nós. Calma, não estou demonizando a ferramenta. O problema está no comportamento que assumimos. Achamos que, porque acompanhamos os posts de fulano em nossa timeline, sabemos da vida dele. Ou porque vemos o álbum de fotos da última viagem da amiga, a vida dela é cor-de-rosa. Achamos que as conversas madrugada adentro são suficientes para sustentar uma amizade. Ou qualquer relacionamento.

Não são poucas as histórias de mal-entendidos gerados porque uma frase foi interpretada no tom errado (sem citar a má interpretação do conteúdo em si). Algumas vogais a menos em uma expressão e pronto, já somos grossos. Ah, tem também os casos em que somos muito mais polidos e educados do que seríamos pessoalmente. A pessoa fala alguma coisa que você não gostou, ou dá alguma mancada e você fala só “ah, tudo bem, não tem problema não…”, quando tudo o que você queria dizer – e diria se estivesse cara a cara – seria “desculpa o caramba, não gostei disso. você deu mancada e não, não está tudo bem (adicione aqui seu palavrão preferido)!!!!”

Aquelas discussões que são importantes para os relacionamentos, que nos fazem conhecer tanto os nossos limites quanto os do outro, nunca acontecerão no chat do livro de rostos. São nos encontros com conversas sem hora para acabar, no almoço rápido em que não dá tempo de contar tudo, nas viagens em que ninguém dorme e o assunto acaba que as amizades se fortalecem. São momentos como esses que renovam e reforçam os laços entre duas pessoas. Falta olho no olho. Falta ler as entrelinhas que só se revelam na troca de olhares, no observar as expressões.

Não tiro o mérito das madrugadas de conversa no whatsapp, no chat do livro de rostos, mas só isso não basta. Quando não temos tempo para ver nossos amigos e aqueles de quem vivemos dizendo que temos saudades, alguma coisa está muito errada. Reavaliar as prioridades pode ser um bom começo.

Por menos “vamos combinar mesmo” e mais “passo aí hoje, nem que seja só pra te dar um abraço”, afinal  como diz Frederico Elboni, “a saudade sempre passa, para quem, no fundo, quer que passe”.

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Imagem: Pinterest

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