Aprendendo

Do medo ao furacão

De cara ele me fez enfrentar medos e inseguranças que há muito tempo eu achava que não existiam mais em mim. Ele não soube, embora eu ainda ache que pudesse ler minha alma com seus olhos cristalinos, mas desde o momento em que o vi em pé, ao lado daquela porta, sabia que estava em apuros. Que nada continuaria igual.

E com isso eu descobri uma faceta inesperada de mim mesma: a que tem medo de se conectar. Bem louco isso vindo de alguém que escolheu a comunicação como profissão e que tem como bem mais precioso as pessoas de sua vida.

Dizer que o medo nos paraliza é chover no molhado. Mas a realização disso enquanto está acontecendo é um tanto assustadora. Entender que o desconforto que se está sentindo vem do medo e ter que agir numa fração de segundo é desafiador e requer muita força e jogo de cintura. Depois, a viagem interna, a reflexão e auto-questionamento são fundamentais para entender a origem do medo, o que ele causa e como enfrentá-lo.

Não devemos aceitar pouco e nem entregar pouco, dise uma amiga.

E depois de muita análise e reflexão, olhei o medo nos olhos e decidi que quero ser como um furacão. Sem medo do que há pela frente. Que passa num piscar de olhos, mas ao invés de deixar destruição, quero deixar boas lembranças, aventuras e momentos que sejam divertidos ou catárticos. O mundo pode não estar fadado ao fim em seis meses como em No Tomorrow, mas a realidade é que nunca sabemos quando daremos nosso ultimo suspiro. Então para quê economizer experiências e sentimentos? Se eu já era intensa por natureza e minha jornada tenha me ensinado que ser humana significa se permitir sentir e agir conforme esse sentimento (mas sempre com consciência e leveza), hoje essa decisão está ainda mais forte. Me conectar me faz humana. A conexão é necessária, mas a preocupação com o nível dela, não. Nem um pouco. Algumas conexões são profundas e permanecerão por muito tempo. Outras são rápidas, passageiras, mas exatamente o que precisamos naquele momento.

Quero ser aquela pessoa com espírito livre, alma leve… E não há lugar para medo nessa equação. Porque junto a tudo isso, ainda quero que o caráter de Jesus seja visto através de mim. Sim, não apenas por mim – no que eu faço, como eu ajo – mas através de mim, que as pessoas olhem em meus olhos e encontrem amor, conforto, segurança, aceitação e bondade que encontramos Nele. No entanto, que ao olhar de volta para si mesmas, sejam confrontadas com sua realidade e possam buscar a liberdade, verdade e o amor que Jesus é.

 

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Aprendendo

Buscando conexões de rede

A vida tem mais graça quando a gente se conecta. Faz parte de nossa humanidade o desejo e a necessidade de conexão com outros seres semelhantes.

O isolamento, ou recolhimento, é necessário para que possamos olhar para dentro e nos conhecermos, nos transformarmos e evoluírmos. Porém, a conexão com outras pessoas revela perspectivas e fragmentos que não conseguiríamos perceber sozinhos e enriquece a jornada.

Aquela história de ter alguém, talvez um amor romântico, para divider a vida? Não cheguei lá ainda. Amores verdadeiros podem se revelar na forma de amigas, mães, primas, irmãs, quando as almas se conectam. São aquelas pessoas que dão aquele empurrãozinho para fora da zona de conforto, apontam defeitos e dão a mão para ajudar a evoluir; dão colo para os dasabafos e os medos, força para enfrentar tudo de cabeça erguida; incentivam; lembraam o quanto somos únicas, especiais e valiosas.

Mas o que a gente esquece – e muitas vezes nem presta atenção – é que até mesmo as conexões superficiais podem fazer isso. Aquela pessoa que você esbarrou na festa de um amigo de um amigo, que você conversou por 5 minutos, pode plantar uma sementinha de ideia que vai transformer algo dentro do você.

A gente tá sempre buscando wi-fi liberado para nos manter conectados. Mas e o o wi-fi instalado dentro da gente, tá buscando rede?

Deixe-se conectar.

 

Música

Talk is Cheap

Paixão fulminante à primeira escutada e, de repente, eu tinha que escrever sobre ela. Sobre ele.

Suave, poderoso, cativante. Vai te ganhando aos pouquinhos, nos lentos-mas-marcantes acordes do piano (será que tá certo falar acorde do piano?). Carregado de emoção.

A voz? Aquele mix delícia de suave com grave, sexy com confortável. Pode ser a voz que me nina, ou a que me faz refletir. É daquelas que tocam a alma.

Eu sempre prefiro as versões live às de estúdio. Aquela liberdade de fazer um floreio no meio da performance, o coro da multidão… A emoção é outra, me transporta para o momento capturado e eu só desejo ficar ali para sempre. Graças a Deus pelo botão de replay automático.

Senhoras e senhores, Talk is Cheap – Chet Faker. “Oh, you gotta feel it on your own”

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Já experimentou pra saber se gosta?

“Já experimentei mentalmente e não gostei.” “Tem que fazer algum sentido na minha cabeça.”  Frases como essas meio que definem como sou em relação à comida.

Eu sempre disse que o meu problema com a alimentação estava na minha cabeça. Afinal, não faz o menor sentido a pessoa passar vontade de comer alguma coisa e não conseguir sequer colocar um pedaço na boca para experimentar, descobrir se gosta do sabor, da textura…

E aí que há alguns meses entrei na vibe de me exercitar. Me matriculei na academia e tenho feito aulas todos os dias, além de uma bela caminhada matinal para ir trabalhar. Não é fácil, muitas vezes priorizo as atividades do dia a dia e deixo a academia pra lá. Só que descobri, para minha infelicidade, que fazer exercício não basta. Preciso dormir bem e me alimentar direito para ter os resultados que quero (não que eu já não soubesse disso, mas achei que conseguiria driblar esse “probleminha”). Eu nunca fui apegada a metas e nem estabeleci uma para essa minha nova vibe. As “musas fitness” da internet dizem que estabelecer metas e uma disciplina para alcança-las é motivador e necessário, mas comigo não rola assim. É uma mudança de vida e uma preocupação com a minha saúde, então tá sendo algo bem gradual, bem tranquilo. As únicas certezas que tenho são de que quero me alimentar de forma saudável antes de ter meus filhos (tenho então, pelo menos, 5 anos para isso) e  chegar aos 40 com o pique que têm Eva Mendes, JLo, Ivete e cia. Quero olhar no espelho e me sentir bem com meu corpo, saber que mesmo quando for velhinha terei pique pra algo além de assistir programa de artesanato na tevê.

Em 2013 comecei a trabalhar numa agência de comunicação especializada em agronegócio, assunto que eu conhecia tanto quanto a Rachel entendia os lances de paleontólogo do Ross: nada. E com uma chefe extremamente paciente, fui aprendendo ao poucos e conhecendo esse universo fantástico que está tão presente no nosso dia a dia e a gente nem sonha. Não, isso não fez com que a minha alimentação mudasse, mas aumentou a minha consciência ecológica e ambiental. Escrevendo uma matéria num dia qualquer, me deparei com o conceito slow food, que tem como filosofia melhorar a qualidade da nossa alimentação e arranjar tempo para a saborear; é uma forma simples de tornar o nosso cotidiano mais prazeroso, utilizando produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção, os produtores.

Opa, peraê! Com isso eu me identifico! Comida boa, de qualidade, com consciência ecológica e social, que me traga benefícios e ao produtor também. Uma alimentação que seja degustada e não engolida, que seja com gente querida, com boa conversa e boa música. Agora sim estamos falando a mesma língua.

Claro que a ideia tinha que ter nascido na Itália! Embora ainda não tenha visitado o país para vivenciar por mim mesma, é senso comum que os italianos adoram uma boa e longa refeição. Claro que eles criariam algo que iria contra o ritmo insanamente acelerado dos americanos, os “gênios” inventores dos fast foods.

Não, isso ainda não significa que eu já estou comendo todas as frutas, legumes, verduras e cereais que preciso, mas estou caminhando no processo. E como citei no início, o meu problema é totalmente psicológico (sim, já considerei a terapia), então encontrar um conceito com o qual me identifico é um grande passo. Driblar o bloqueio da minha cabeça é meio caminho andado e eu vejo isso acontecendo aos poucos, quando começo a pelo menos considerar comer algo diferente do que estou acostumada.

Sei lá quando vou introduzir algo novo no meu cardápio. Espero que seja logo, porque descobri que vou ter que diminuir minha carga de exercícios se não comer o que meu corpo precisa e eu realmente tô pegando gosto por colocar meu corpo pra funcionar.

Crônicas

A minha “Ghost Story”

Leia ouvindo: I’m A Mess – Ed Sheeran

Nunca vou saber exatamente quando me apaixonei por você. Acho que foi ao longo dos anos em que fomos amigos, mas levou um tempo até que eu admitisse isso para mim mesma. Me apaixonar não era uma opção para mim, ainda mais por você. Parecia que eu sabia o que estava por vir.

Nós não nos vimos durante o tempo em que estive apaixonada por você. E essa é a única culpa que atribuo totalmente a você. Não nos vimos porque você não quis.

Eu sempre detestei essa história de relacionamentos e paixonites pela internet. Porque na internet nada é real. Somos uma versão editada de nós mesmos. E foi para saber se você e se o que sentia eram reais que eu queria te olhar os olhos apenas uma vez. Eu precisava entender o que estava acontecendo. Mas você se negou. Repetidamente.

Então decidi colocar em xeque nossa amizade e você surtou. Era insustentável continuar como estava, então fugia de você o quanto podia. E você, tenho certeza, ficou aí do outro lado sem entender nada.

Não nos falamos há um tempo e outras coisas aconteceram. Outras conversas, outras pessoas, outras tentativas de espiar sua alma, outras desculpas, outras fugas. 

Hoje você paira sobre mim como um fantasma, que me deixa ver o sol e sentir seu calor sobre minha pele, mas faz questão de me lembrar que, à noite, quem me faz companhia é você. Quando acho que o sol vai ficar até mais tarde, como numa noite de verão, sua versão fantasmagórica aparece, demandando que suas existência e presença sejam notadas.

Apesar de você e seu fantasma, Poliana ainda vive em mim. E estou me livrando de você. Não com a rapidez que gostaria, mas estou. Dizem que mais importante que a chegada é a jornada. E a jornada para me libertar de você tem me ensinado muito sobre mim mesma e sobre a vida, sobre as pessoas.

Vamos cruzar a linha de chegada, mas nos libertar. Eu de você e você de mim. Seu fantasma vai encontrar outra pessoa para assombrar, e minhas noites terão outra companhia além de algumas horas a mais de sol.

 

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Falta olho no olho

Amo a internet. De verdade. Amo como ela me permite conhecer novas ideias, lugares, músicas etc. Amo como ela me ajuda a encontrar pessoas que conheci na infância e nunca mais vi. Amo como me mantém próxima de pessoas que conheci numa conferência em outra cidade.

Eu poderia te fazer ficar horas lendo o que amo na internet, mas quero mesmo é falar sobre o principal motivo pelo qual a detesto: as pessoas ficaram mais preguiçosas.

Sabe aquele “vamos marcar algo”? É dele que eu tô falando. Ao mesmo tempo que a internet nos aproximou, criou um abismo enorme entre nós. Calma, não estou demonizando a ferramenta. O problema está no comportamento que assumimos. Achamos que, porque acompanhamos os posts de fulano em nossa timeline, sabemos da vida dele. Ou porque vemos o álbum de fotos da última viagem da amiga, a vida dela é cor-de-rosa. Achamos que as conversas madrugada adentro são suficientes para sustentar uma amizade. Ou qualquer relacionamento.

Não são poucas as histórias de mal-entendidos gerados porque uma frase foi interpretada no tom errado (sem citar a má interpretação do conteúdo em si). Algumas vogais a menos em uma expressão e pronto, já somos grossos. Ah, tem também os casos em que somos muito mais polidos e educados do que seríamos pessoalmente. A pessoa fala alguma coisa que você não gostou, ou dá alguma mancada e você fala só “ah, tudo bem, não tem problema não…”, quando tudo o que você queria dizer – e diria se estivesse cara a cara – seria “desculpa o caramba, não gostei disso. você deu mancada e não, não está tudo bem (adicione aqui seu palavrão preferido)!!!!”

Aquelas discussões que são importantes para os relacionamentos, que nos fazem conhecer tanto os nossos limites quanto os do outro, nunca acontecerão no chat do livro de rostos. São nos encontros com conversas sem hora para acabar, no almoço rápido em que não dá tempo de contar tudo, nas viagens em que ninguém dorme e o assunto acaba que as amizades se fortalecem. São momentos como esses que renovam e reforçam os laços entre duas pessoas. Falta olho no olho. Falta ler as entrelinhas que só se revelam na troca de olhares, no observar as expressões.

Não tiro o mérito das madrugadas de conversa no whatsapp, no chat do livro de rostos, mas só isso não basta. Quando não temos tempo para ver nossos amigos e aqueles de quem vivemos dizendo que temos saudades, alguma coisa está muito errada. Reavaliar as prioridades pode ser um bom começo.

Por menos “vamos combinar mesmo” e mais “passo aí hoje, nem que seja só pra te dar um abraço”, afinal  como diz Frederico Elboni, “a saudade sempre passa, para quem, no fundo, quer que passe”.

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Imagem: Pinterest

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Amor que transcende

Não consegui fazer a “maratona Oscar” antes da cerimônia, que aconteceu no último domingo, 24/02, mas dei o start ontem.

Fui assistir Les Miserables, e como é de costume quando me apaixono por um filme, hoje passei grande parte do meu tempo livre lendo e pesquisando sobre Les Mis. Ainda absorta em sua história e muito tocada pela beleza e história do filme (inspirado na obra homônima de Victor Hugo), li algumas críticas e uma delas prendeu minha atenção.

Escrita por Philip French para o jornal inglês The Guardian (li a versão on-line), foi o trecho a seguir que realmente me fez trazer a história e os temas nela apresentados para o contexto que vivo.

O parágrafo final diz:
“Above all else, perhaps, the film is about three things. First, love both sacred and profane, and its ability to transform and transcend. Second, our need to fight for change and social justice in a cruel world that resists revolution or too easily undermines and diverts it. Third, and above all, Les Misérables is about holding on to hope in the most desperate conditions, and it ends in the victory of love in a context of political defeat.”

“Acima de tudo, talvez, o filme é sobre três coisas. Primeiro, o amor ao mesmo tempo sagrado e profano, e sua capacidade de transformar e transcender. Em segundo lugar, a nossa necessidade de lutar por justiça social e mudança em um mundo cruel que resiste à revolução ou muito facilmente enfraquece e se desvia. Em terceiro lugar, e acima de tudo, Les Misérables é sobre se apegar à esperança nas condições mais desesperadas, e termina com a vitória do amor em um contexto de derrota política.

Vou seguir o a sequência dele raciocínio para o meu raciocínio.

1 – “O amor e sua capacidade de transformar e transcender.”

Não existe maior amor do que o de Deus por nós. Ele deu seu filho pra morrer em nosso lugar, mesmo sem pedirmos ou muito menos merecermos. É um amor que aceita sem julgar, sem pensar. Aceita como é, mas não deixa como está. Como sempre podemos melhorar, esse amor vai nos transformando dia a dia, à medida que nos permitimos ser amados e amamos – a nós mesmos, aos que estão ao nosso redor ou os que sequer conhecemos. Quando entendemos esse amor – ou chegamos perto disso -, ele nos faz transcender. E o próprio filme mostra isso. O personagem de Hugh Jackman, Jean Valjean, emana ódio quando é libertado da prisão, mas a compaixão do bispo que o abriga vira seu mundo de ponta cabeça, destruindo seus paradigmas e conceitos sobre o mundo e as pessoas. É um momento catártico e então ele está liberto para recomeçar sua vida.

2 – “A nossa necessidade de lutar por justiça social e mudança em um mundo cruel.”

O mundo tem se transformado cada dia mais num lugar cruel e as injustiças sociais estão à nossa volta, onde quer que formos. Nosso papel como cristãos é ser sal e luz nessa Terra, e entender nossa função como cidadãos faz parte disso. A Bíblia é muito clara e nos alerta que os dias serão maus e não melhorarão até a vinda de Jesus. Ao mesmo tempo, mesmo cientes de que as coisas não vão melhorar, a orientação do Senhor é clara como a água. “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). O que significa isso? Que não devemos nos conformar com a injustiça, mas buscar alternativas para que o Amor seja revelado e transforme as vidas, as situações.

Se para defender um ideal muitos morrem – como acontece em Les Mis -, porque quando temos a oportunidade de falar sobre vida, amor e esperança nos calamos? É tempo de sair da zona de conforto, de assumir o posto e bancar suas ideias, opiniões e convicções. Mas mais que isso, é tempo de mostrar e falar pra todo mundo que existe um amor que transforma e transcende. Um amor que nos faz reviver e nos dá esperança.

3 – “Esperança nas condições mais desesperadas, e termina com a vitória do amor (…).”

Se a situação ou o contexto que enxergamos nosso mundo hoje são desesperadoras, podemos ter esperança de que o Amor vai vencer. Como? Quando Jesus foi crucificado e sepultado, ele ressuscitou ao terceiro dia. E ele subiu aos céu nos prometendo que prepararia um lugar para nós e voltaria para nos buscar. O dia e a hora são desconhecidos (alô 21/12/12 fail), mas ele disse que voltaria. Assim, quando conhecemos esse amor e somos transformados por ele, a esperança é natural. E não só a esperança. mas a fé, aquela certeza do que ainda não vemos.

“E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida. (…) Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus.”
Apocalipse 22:17 e 20

P.S.: a quem interessar possa, esse é o link para a a crítica completa –> http://www.guardian.co.uk/film/2013/jan/13/les-miserables-review-tom-hooper